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sábado, 20 de outubro de 2012

Grupo de jornalistas envia carta aberta em defesa do jornalismo "pela democracia"


Trabalhadores da LUSA entraram em greve de 4 dias em protesto contra os cortes
Um conjunto de jornalistas sublinhou hoje numa carta aberta a importância que o jornalismo tem num regime democrático. Personalidades entre as quais Diana Andringa e Adelino Gomes alertaram para o perigo dos cortes no financiamento dos órgãos de comunicação.

"O jornalismo não se resume à produção de notícias e muito menos à reprodução de informações que chegam à redacção. Assenta na verificação e na validação da informação, na atribuição de relevância às fontes e acontecimentos, na fiscalização dos diferentes poderes e na oferta de uma pluralidade de olhares e de pontos de vista que dêem aos cidadãos um conhecimento informado do que é do interesse público, estimulem o debate e o confronto de ideias e permitam a multiplicidade de escolhas que caracteriza as democracias", avança o documento.

A carta surge numa altura em que os cortes de 30% no financiamento da agência LUSA, suscitam polémica junto da sociedade portuguesa e os trabalhadores da empresa noticiosa encontram-se numa greve de 4 dias.

O documento, subscrito por mais de 70 nomes do jornalismo, desafia "todos os cidadãos a empenhar-se nesta defesa de uma imprensa livre e de qualidade e a colocar os seus esforços e a sua imaginação ao serviço da sua sustentabilidade".

Eduardo Sousa e Hugo Dinis

Jornalistas divulgam carta aberta


"Enfraquecimento da democracia" levou mais de 70 jornalistas a escrever a carta aberta "Pelo jornalismo, pela democracia" para alertar sobre as consequências da crise nos media portuguses.

Os jornalistas afirmam na carta que não se trata de "uma mera questão laboral ou mesmo empresarial. Trata-se, contudo, de um problema mais largo e mais profundo, e que, ao afectar um sector estratégico, se reflecte de forma negativa e preocupante na organização da sociedade democrática”.

Na carta lê-se que a crescente perda de trabalhadores no ramo da comunicação social tem levado “a uma perda de rigor, de qualidade e de fiabilidade, que terá como consequência, numa espiral recessiva de cidadania, a desinformação da sociedade, a falta de exigência cívica e um enfraquecimento da democracia”.

Os subrescritores afirmam também que os jornalistas de todas as plataformas de comunicação social, nomeadamente a televisão, rádio, imprensa e online, devem lutar "pelo direito à dignidade profissional contra a degradação das condições de trabalho, lutam por um jornalismo independente, plural, exigente e de qualidade, esteio de uma sociedade livre e democrática”.

Naida Seixas e Monja Urbic