quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Nuno Santos demite-se da RTP


Nuno Santos demitiu-se do cargo de director de informação da RTP após ter disponibilizado à PSP imagens não editadas, captadas pela estação de televisão durante a manifestação do dia 14, em frente à Assembleia da República.

Nuno Santos estava no cargo desde Março de 2011
De acordo com a carta da administração a que o semanário Expresso teve acesso, o caso prende-se com o facto dos "responsáveis da direcção de Informação" terem permitido "a elementos estranhos à empresa, nas instalações da RTP, a visualização de imagens dos incidentes verificados na manifestação”.

O Conselho de Administração explica que "não foi consultado ou sequer informado, sobre qualquer pedido ou presença de elementos estranhos à empresa, dentro das suas instalações".

Os responsáveis asseguram que se trata de uma “acção abusiva” e de uma "quebra grave das responsabilidades inerentes à cadeia hierárquica interna da empresa", salientando que vão instaurar um inquérito ao ocorrido.

Contudo, Nuno Santos esclarece que se reuniu com o Conselho de Redacção e com a Comissão de Trabalhadores, tendo prestado todos os esclarecimentos que lhe foram pedidos sobre “uma hipotética entrega a entidades externas à RTP de imagens não exibidas dos acontecimentos do passado dia 14”. O jornalista indica que não teve qualquer intervenção directa e que não autorizou de forma expressa ou velada a cópia de quaisquer imagens, revela o Meios & Publicidade.

O director de informação demissionário revela que não existe confiança na direcção e que assume as suas responsabilidades, porém afirma estar de “consciência tranquila” e que a decisão de se demitir do cargo da RTP é “irreversível”.

Sara Cunha e Sandra Maciel

Nuno Santos demite-se da Direcção de Informação da RTP


Nuno Santos demitiu-se ontem do cargo de Director de Informação da RTP. Na origem está o mau ambiente gerado pela suposta entrega de imagens da manifestação de 14 de Novembro à polícia.

Nuno Santos foi responsável pela informação da RTP durante, quase, dois anos.
Fonte: Olhar A Televisão

"A meu pedido, renunciei hoje ao cargo de Director de Informação da RTP tendo apresentado a minha demissão ao Conselho de Administração. Esta decisão é irreversível." Foram estas as primeiras palavras de Nuno Santos, na nota entregue à redacção do canal público.

O ex-director da Estação defende que "nenhuma imagem" da manifestação de 14 de Novembro em frente à Assembleia da República "saiu das instalações da RTP" para as mãos de pessoas estranhas ao canal.


Contudo, segundo o Público, o Conselho de Administração contradiz Nuno Santos, acusando que "responsáveis da Direcção de Informação facultaram a elementos estranhos à empresa, nas instalações da RTP, a visualização de imagens dos incidentes verificados após a manifestação em frente à Assembleia da República". Sublinha, ainda, que as imagens "servem apenas para uso profissional".

O Conselho de Redacção mostrou-se "surpreendido" com a demissão e encontra-se a "aguardar" as conclusões da investigação que vai ser realizada pela Administração do primeiro canal.

Tiago Rodrigues e Ruben Gomes

Gavin Rees veio a Lisboa falar sobre trauma


Trauma foi o tema mais falado pelo director do Dart Centre Europe, Gavin Rees, que esteve em Lisboa a convite do Centro de Trauma da Universidade de Coimbra.

Gavin Rees, o director da Dart Centre Europe
Gavin Rees, jornalista, cineasta e  director do Dart Centre Europe, tem feito vários trabalhos ao longo de 13 anos para o Financial Times e a CNBC. O jornalista, que trabalha na Universidade de Columbia, interessa-se pelo tema do trauma e veio a Lisboa explicar como é que os jornalistas devem abordar questões traumáticas no seu trabalho. Este interesse sobre o trauma culminou num documentário para a BBC sobre os sobreviventes da bomba nuclear de Hiroshima, em 1945.

Numa entrevista ao Jornal i o jornalista explica que ainda no início da carreira do jornalismo, se apercebeu de que o trauma – as histórias violentas que ocorrem muitas vezes perto de nós- estão por todo o lado. ”É necessário inovar o jornalismo”, diz Gavin Rees, “mas é cada vez mais difícil porque a maioria dos jornalistas não sai da redacção e não recebe apoio de profissionais mais experientes”.  A falta de relacionamento dos jovens jornalistas com jornalistas mais experientes e a falta de partilha de experiências traumáticas provoca um vácuo e um vazio na informação, afirma.

Para Gavin Rees é importante perceber como é que um jornalista lida com as suas emoções. Para além de profissional, o jornalista tem reacções humanas, explica, dando o exemplo de Bem Nrown, um jornalista da BBC, que estava a cobrir um tsunami e que, enquanto entrevistava uma senhora idosa, ela começou a chorar e abraçou-o.

“A reacção dele – humana – foi ficar abraçado a ela e a BBC decidiu mostrar a imagem porque achou que retratava bem o que a comunidade estava a experienciar.” Este tipo de expressão emotiva pode ser mal interpretada pelas pessoas, que “não tendem a entender o trabalho dos jornalistas tão bem como poderiam entender”.

“A verdade é que, do meu ponto de vista e da experiência que tenho tido a lidar com outros jornalistas, a maioria deles está apenas a tentar fazer o melhor trabalho que consegue. E não tenho tanta certeza sobre se o público entende isso” explica , Gavin Rees.

Soraia Ribeiro

Bloco de Esquerda exige ouvir Miguel Relvas e administração da RTP sobre caso das imagens da Greve Geral


O Bloco de Esquerda (BE) requereu a audição de do diretor de informação da RTP demissionário Nuno Santos, do Conselho de Redação da RTP, da Comissão de Trabalhadores da RTP, do ministro-adjunto e dos Assuntos Parlamentares Miguel Relvas, do presidente do Conselho de Administração (CA) da RTP Alberto da Ponte, e do Sindicato dos Jornalistas, no âmbito da divulgação de imagens das manifestações do passado dia 14 de Novembro a pessoas estranhas à RTP.

A deputada bloquista Cecília Honório defendeu, em nota enviada ao Ministério da Administração Interna, que o Estatuto dos Jornalistas estipula que "as imagens e sons não editados nem transmitidos têm a mesma protecção legas das notas dos jornalistas", não sendo por isso "possível ter acesso a este material sem autorização de magistrado". O Bloco sublinha que é necessário saber ao certo quem téra feito a solicitação das imagens e quem as terá visionado.

Foto: Flickr rtppt.

O CA da RTP afirmou em comunicado que "responsáveis da Direção de Informação facultaram a elementos estranhos à empresa imagens dos incidentes" em frente ao Parlamento durante a passada Greve Geral. Na sequência desta polémica, o director de Informação da estação estatal Nuno Santos pediu a demissão no passado dia 21, negando ter facultado imagens brutas dos acontecimentos. Ainda assim, o CA da RTP confirma que "não foi consultado ou sequer informado, nem sobre qualquer pedido, nem sobre a presença de elementos estranhos à empresa, dentro das suas instalações".

Texto e Imagem por Hugo Dinis e João Paulo Teixeira.

SIC e TVI recusam imagens à PSP


Manifestante à porta do parlamento

A PSP pediu à SIC e à TVI imagens dos confrontos de dia 14 durante as manifestações junto ao Parlamento, mas ambas as estações recusaram.

Segundo o Publico, o pedido à SIC foi feito na passada sexta-feira onde era solicitado o acesso às imagens dos confrontos. A estação de Carnaxide recusou o pedido argumentando que as imagens de que dispunha eram as que foram editadas e emitidas.

Hoje foi a vez de a TVI receber igual pedido por parte da PSP. No email enviado foram pedidas imagens “de preferência não editadas” para “usar como meio de prova dos actos classificados como crime”.

A direcção da TVI afirmou que só cede imagens do domínio público, ou seja, que tenham sido emitidas pelas suas estações. “Qualquer outra imagem não editada é considerada material de trabalho dos jornalistas, está abrangida por sigilo profissional e a TVI não as divulga”, acrescentando que “as imagens são captadas em contexto jornalístico e só devem ser utilizadas para trabalho jornalístico”.

Foto: Publico.pt

Eduardo Sousa, João Carreira e José Carpinteiro

SIC e TVI dizem não à PSP


As televisões privadas recusaram-se a ceder à PSP imagens não editadas dos confrontos ocorridos na manifestação do dia 14, às portas de São Bento. Já sobre RTP, a porta-voz da polícia não se pronunciou, argumentando que existe um processo de averiguações a decorrer. 

Televisões portuguesas não cedem imagens da manifestação
O director da SIC Notícias, António José Teixeira, confirmou ao PÚBLICO que o pedido da PSP foi recebido na passada sexta-feira, mas o grupo Imprensa recusou ceder as imagens afirmando que estas foram todas emitidas. 

Num comunicado lido ontem, no Jornal das 8, José Alberto Carvalho afirmou que a TVI só cede imagens do domínio público. "Qualquer outra imagem, não editada, é considerada material de trabalho dos jornalistas, está abrangida por sigilo profissional e a TVI não as divulga", leu o director de informação. Depois de recebido o e-mail da PSP a pedir imagens de "preferencia não editadas", a televisão privada justificou que as imagens recolhidas para as peças jornalísticas apenas servem como informação, e quando este "não serve esse propósito jornalístico, então não interessa para qualquer outro fim." 

O e-mail recebido pela TVI acrescenta ainda que as imagens serão usadas “como meio de prova dos actos classificados como crime”. Apesar de tudo, a sub-comissária Carla Duarte afirmou à TSF não ter recebido qualquer resposta por parte das televisões privadas.
O director da SIC Notícias confessa que não é o primeiro pedido de cedência de imagens feito pela PSP.

Fábio Fernandes e João Pimenta

Estivadores europeus protestam em Lisboa


Trabalhadores dos portos europeus concentram-se hoje às 13h na Praça do Município, em Lisboa, para mais um episódio de um protesto que dura há três meses. Estivadores de oito países europeus, Chipre, Malta, Suécia, Dinamarca, França, Espanha, Alemanha e Bélgica, acompanham os sindicatos da Frente Comum no protesto diante da Assembleia da República contra a aprovação da nova lei do trabalho portuário. Esta confirmada formalmente a presença de 50 estivadores, mas prevê-se que o número seja superior, avançou o Público.


Manifestação dos Estivadores 
 Fotografia © Nuno Pinto Fernandes - Global Imagens
A acção de protesto de hoje coincide com a sessão parlamentar que dará luz verde à proposta do Governo para a alteração ao regime do trabalho dos portos, e representa o culminar de mais de três meses em protesto contra a entrada da nova lei.
A importância deste protesto está patente na "manchete" do site do Conselho Mundial dos Trabalhadores Portuários (IDC - International Dockworkers Council), onde é destacado o anúncio da manifestação dos estivadores portugueses. A frase "we'll never walk alone. Proud to be a docker" (Nunca mais vais caminhar sozinho. Orgulho em ser estivador) é uma referência ao lema da greve dos estivadores do porto de Liverpool, ocorrida nos anos 90, noticiou o Diário de Notícias.

A greve dos estivadores não ameaça o Natal este ano mas as empresas tiveram de encontrar soluções de transporte e suportar mais custos para garantir a entrega dos produtos. As exportadoras viram afectadas as suas vendas para o exterior, acrescidos os custos de transporte e receiam que a credibilidade do país enquanto fornecedor seja afectada.  As greves têm um impacto "imediato no custo dos transportes", afirmou Pedro Cruz, Presidente da Gallo, ao Diário Económico.


Mariana Pinheiro e Sara Cunha