domingo, 13 de abril de 2008

Media influenciam processo legislativo

“Até que ponto os Media influenciam o processo legislativo?” foi a questão que conduziu a investigação de Sara Pina ao longo da sua dissertação de mestrado, defendida sexta-feira, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Procurando analisar a acção dos media como fontes informais de Direito Penal e Direito de Processo Penal, Sara Pina afirmou que “os media são uma forma essencial na auscultação que os políticos fazem das inquietações públicas” e existe, de facto, "uma influência dos media na produção legislativa".
Cruzando análise de imprensa aos jornais Público e Correio da Manhã, com entrevistas a figuras públicas da Justiça em Portugal, Sara Pina escolheu como case study o caso Casa Pia e as suas implicações na reforma penal de 2007.
Sobre o mediático processo de pedofilia ainda em curso, Sara Pina concluiu que as alterações legais foram de pendor garantístico, em defesa dos direitos dos arguidos, ao contrário de outros casos internacionais semelhantes, com consequências securitárias ou punitivas, que beneficiaram as vítimas. A investigadora deu como exemplo o tempo de interrogatório dos arguidos, que até à reforma de 2007 se podia prolongar durante várias horas e agora tem um período máximo de quatro horas.
O júri, presidido por Hermenegildo Borges e composto por João Pissarra Esteves (orientador) e Pierre Guibentif (arguente), sublinhou o carácter interdisciplinar da abordagem e atribuiu nota máxima ao trabalho conduzido pela docente de Jornalismo da Universidade Lusófona.

Notícia redigida por:
Edi Hernandez
Hugo Maduro
Jorge Almeida
Rui Joaquim

Edição: Carla Rodrigues Cardoso
Géneros Jornalísticos
1º Ano – Turma D1 – Licenciatura em Comunicação e Jornalismo

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Michael Schudson na FLAD dia 14 de Abril





Michael Schudson debate "A Cidadania e os Media" dia 14 de Abril, pelas 17.30, na Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento. O longo subtítulo em inglês da palestra ("How Americans Became Citizens and How the News Media Serve and Underserve Them") deixa adivinhar a riqueza da proposta para esta tarde de segunda-feira. A entrada é livre, mas aconselha-se a marcação prévia de um lugar através do e-mail fladport@flad.pt.

O teórico norte-americano, figura de referência na área da sociologia dos media, é professor na Universidade da Califórnia desde 1980 e será apresentado por Mário Mesquita. A conferência de Michael Schudson é moderada por Isabel Gil, da Universidade Católica, e terá comentários de André Freire (ISCTE) e Maria João Silveirinha (Universidade de Coimbra).

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Um dos problemas da especialização

É um caso que vale a pena guardar para estudar um dos problemas que o jornalismo especializado tem. Hoje na página de abertura da secção de Economia do Público de hoje (sem link disponível):

"Auditoria à luta contra nemátodo
do pinheiro confirma derrapagens"

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O caso Sonae e o dever de informar

A Sonae SGPS resolveu este ano inovar na apresentação das suas contas de 2007. Os factos são estes:


  1. Fez um evento designado "Sonae Circle" no qual apenas se poderia entrar por convite. Para o acontecimento foram convidados analistas, gestores, fornecedores e accionistas.
  2. Os jornalistas só poderiam entrar se tivessem convite. Foram convidados apenas jornalistas com cargos de direcção ou edição que podiam fazer perguntas. A regra geral nas empresas, cotadas em bolsa ou não, é informarem a data e hora da conferência de imprensa de apresentação de resultados cabendo à edição do jornal designar o jornalista que lá vai, em regra o que acompanha o tema.
  3. Toda a informação sobre as contas do grupo Sonae foram disponibilizadas no site "Sonae Circle" assim como, obviamente e como a lei exige, no site da Comissão de Mercados de Valores Mobiliários.
  4. Os quatro gestores do grupo concederam uma entrevista a um dos subdirectores do Diário Económico colocada em vídeo no "Sonae Circle". Podia-se ver como uma das identificações: "Entrevista 'powered' por Diário Económico". No dia seguinte a entrevista foi publicada no Diário Económico.

Descrevo estes acontecimentos fundamentalmente porque gostaria de debater o que se passou. Faço desde já uma declaração de interesses: além de leccionar na Lusófona assumo neste momento funções de subdirectora no Jornal de Negócios.

Desde já faço os seguintes comentários ao caso na perspectiva do jornalista:

  1. Os leitores em geral e os accionistas, fornecedores, clientes e trabalhadores do grupo Sonae ficaram a perder porque não estiveram presentes na reunião - não se pode designar como conferência de imprensa - os jornalistas que seguem o grupo. A Sonae não foi, em princípio, confrontada com perguntas que poderiam ser incómodas. (Não me pronuncio na perspectiva da comunicação nem da lei que regula o mercado de capitais, nomeadamente no que diz respeito a exigências de informação)
  2. O que deve fazer um jornalista, editor ou director numa situação destas? Um exercício possível é pensar no jornalismo em geral e não no jornalismo especializado. Na pureza dos princípios não devem ser os protagonistas das notícias a escolher o jornalista mas sim o meio de comunicação. Mas assim sendo, não deveria ir ninguém ao evento? Pois não sei. Uma decisão drástica como essa ainda prejudicava mais os leitores.

E fico por aqui.

Espero que este tema seja suficientemente convidativo para o debatermos.

Voos sobre a literatura portuguesa e norte-americana

Até Julho, a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento promove a iniciativa "Asas sobre a América", coordenada por Filipa Melo. O objectivo é criar espaços de debate e reflexão sobre a literatura, os autores e as questões que cruzam oceanos e ultrapassam as fronteiras literárias portuguesas e norte-americanas. Os estudantes que assistem a cada uma das sessões têm ainda a oportunidade de participar num concurso que elege o melhor relato de cada conferência e atribui um prémio em livros. A entrada em todas as sessões é gratuita.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

A contradição enquanto notícia inútil

Eram quase 11 horas da noite. Dirigia-me para a ponte Vasco da Gama. Nas notícias das 11 oiço que houve um acidente na Ponte no sentido Norte/ Sul; a Lusoponte diz que o trânsito já circula normalmente; a polícia afirma que a ponte ainda está congestionada. Conclusão que oiço: há assim uma contradição entre a empresa gestora da ponte e a polícia.

Nunca compreendi tão bem a inutilidade e até a menos-valia da contradição enquanto notícia. A partir daquele momento iniciei uma condução ansiosa, irritada pelas horas que ainda ia passar a conduzir... E afinal a ponte estava limpa de trânsito.

Para que servem estas notícias da contradição que frequentemente fazem as nossas delícias de jornalistas? Na esmagadora maioria dos casos não servem para nada.

Há casos em que é impossível dar ao leitor a visão da realidade. Há muitos exemplos destes no jornalismo económico e até no político. Na economia existem contradições entre indicadores - muitas vezes porque as medidas usadas são diferentes como acontece no desemprego -, contradições nas análises; diferenças nas previsões... em que não é possível dizer ao leitor "esta é a realidade".

Mas o caso do trânsito não é seguramente um deles.

Porque não se esclarece o que pode ser esclarecido? Diria que em muitos casos porque não existem recursos suficientes para garantir uma das características da actividade jornalística: a mobilidade, ir aos sítios para verificar a informação.

O jornalismo de secretária ligado à rede do telefone ou da internet alimenta o jornalismo da contradição dando a ilusão que se está a fazer jornalismo.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Contra a “capa de jornal”

Já repararam que os media estão a transformar a 1ª página do jornal em capa? Podemos apontar o dedo com mais veemência à televisão e às revistas de imprensa diárias que fazem desfilar perante os telespectadores as ditas “capas” de jornais.
Tudo estaria bem se um jornal tivesse, de facto, capa. Mas não tem. A primeira página de um jornal tem uma construção gráfica e lógica completamente diferente da capa de uma revista. É verdade que, por vezes, certas primeiras páginas se assemelham a capas. E também é verdade que o segmento das revistas tem crescido tanto nas últimas décadas que obrigou os jornais a reinventarem-se.
Apesar disso, chamar capa a uma 1ª página é abusivo e errado. Compreendo que a palavra “capa” se enquadre melhor na brevidade jornalística que a dupla “primeira página”. Mas onde fica o rigor e a exactidão que deviam ser caros à linguagem dos jornalistas a partir do momento em que começam a tratar mal as “suas” próprias palavras?