segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
A contradição enquanto notícia inútil
Nunca compreendi tão bem a inutilidade e até a menos-valia da contradição enquanto notícia. A partir daquele momento iniciei uma condução ansiosa, irritada pelas horas que ainda ia passar a conduzir... E afinal a ponte estava limpa de trânsito.
Para que servem estas notícias da contradição que frequentemente fazem as nossas delícias de jornalistas? Na esmagadora maioria dos casos não servem para nada.
Há casos em que é impossível dar ao leitor a visão da realidade. Há muitos exemplos destes no jornalismo económico e até no político. Na economia existem contradições entre indicadores - muitas vezes porque as medidas usadas são diferentes como acontece no desemprego -, contradições nas análises; diferenças nas previsões... em que não é possível dizer ao leitor "esta é a realidade".
Mas o caso do trânsito não é seguramente um deles.
Porque não se esclarece o que pode ser esclarecido? Diria que em muitos casos porque não existem recursos suficientes para garantir uma das características da actividade jornalística: a mobilidade, ir aos sítios para verificar a informação.
O jornalismo de secretária ligado à rede do telefone ou da internet alimenta o jornalismo da contradição dando a ilusão que se está a fazer jornalismo.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Contra a “capa de jornal”
Tudo estaria bem se um jornal tivesse, de facto, capa. Mas não tem. A primeira página de um jornal tem uma construção gráfica e lógica completamente diferente da capa de uma revista. É verdade que, por vezes, certas primeiras páginas se assemelham a capas. E também é verdade que o segmento das revistas tem crescido tanto nas últimas décadas que obrigou os jornais a reinventarem-se.
Apesar disso, chamar capa a uma 1ª página é abusivo e errado. Compreendo que a palavra “capa” se enquadre melhor na brevidade jornalística que a dupla “primeira página”. Mas onde fica o rigor e a exactidão que deviam ser caros à linguagem dos jornalistas a partir do momento em que começam a tratar mal as “suas” próprias palavras?
terça-feira, 15 de janeiro de 2008
As regras de Seixas da Costa
- Não falar no condicional: as mensagens são dúbias e dificulta [a elaboração de] títulos aos jornalistas.
- É preciso ter consciência que a comunicação social só publica o que quer. As segundas-feiras costumam ser bons dias para conseguir que uma notícia saia.
- Os jornalistas gostam de ser individualizados. Não vale a pena semear notícias por todos os jornais.
- "Quando dou uma entrevista já sei que a minha pior frase vai ser o título". Por isso, diz, quando se dá entrevistas, é recomendável que se construam algumas frases simples que possam fornecer o título e outras para o jornalista usar como destaques da entrevista.
Olhando para a "actual tabloidização da comunicação social" Seixas da Costa considera "legítimo" que "os diplomatas não estejam disponíveis para esse tipo de simplificação".
Um dos temas controversos em que tocou é o de quem define o interesse público. "O interesse do jornal ou do jornalista não é interesse público", afirmou. Um exemplo que deu foi o de um assalto em Porto Galinhas que apenas foi noticiado porque lá estava um jornalista de uma televisão portuguesa. Uma notícia que, não reflectindo a realidade - no sentido de não existir uma elevada taxa de assaltos na zona -, acabou por tem impacto negativo no turismo.
Em Portugal, sublinhou ainda, existe também uma agressividade em relação ao interesse nacional que não se verifica em países como a Espanha. Uma velha questão, dizemos nós, do cruzamento entre interesse nacional e interesse público que vale a pena, um dia, debater.
A embaixada de Portugal no Brasil é uma das únicas que comunica através de um blog alimentado pelo embaixador.
segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
“Crianças de Chernobyl” transmitida em três continentes
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
Diplomacia e Jornalismo em debate na Lusófona

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
O futuro visto por João Palmeiro
- -“O jornalismo da era digital exige mais jornalistas, melhores jornalistas e mais bem preparados”
- “Depois dos nórdicos, Portugal é o país onde se lê mais jornais”. Surpreendente? “Compram-se poucos jornais mas lê-se muito”.
- “Os [jornais] gratuitos expandiram-se em Portugal para além dos transportes públicos devido à dificuldade em comprar um jornal”
- “Os jornais não morrem enquanto existirem pessoas para ler e para os fazer”.
Sobre o funcionamento que se perspectiva para a "produção" de informação indicou-nos este vídeo (que tem infelizmente uma tradução com erros):
E sobre a organização dos órgãos de comunicação social em categorias profissionais na era da comunicação social:
. Jornalista dotado de competências digitais (technojournalist)
. Jornalista com capacidades de gestão de bases de dados noticiosas (production journalist)
. Gestor de notícias (story manager).
. Arquivista – documentalista digital (resourcer).
. C.E.I.O. (Chief Executive Information Officer)
inspirado em “The New Journalists” de Kerry J. Northrup, director de publicações da Ifra.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Informação na televisão
Na foto de João Henriques, aluno da Lusófona, Ricardo Costa explica, questionado por aluna, o que se passou no dia em que Santana Lopes saiu dos estúdios da SIC Notícias quando a sua entrevista foi interrompida para se fazer um directo da chegada de José Mourinho ao aeroporto de Lisboa. Ricardo Costa admitiu que, se fosse hoje, não teria decidido fazer o directo sabendo que Mourinho não diria nada. Mas, alertou, se Mourinho tivesse feito alguma declaração e a SIC não transmitisse o debate seria outro.
Aqui fica uma síntese das reflexões de Ricardo Costa sobre o futuro e que valem a pena guardar:- "Haverá informação, futuro e televisão. A incerteza está em quem quer ver, o que quer ver a através de que meio".
- "A informação tem de ser vista como um negócio: sem viabilidade financeira um órgão de comunicação não pode ser independente"
- "A imprensa especializada vai migrar muito rapidamente para o online". Um dos exemplos é a informação económica. Mas "informação económica na [televisão por] cabo é uma ideia suicida"
- "A maioria dos jornalistas dificilmente escapará de trabalhar para várias plataformas".